Insônia e as Terapias Comportamentais

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Colaboradora: Ana Cláudia da Cunha Corrêa

* Médica – Pós-Graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica – Metrocamp

Yoga

A insônia é o distúrbio de sono mais comum e talvez a mais freqüente queixa após a de dor. As queixas de insônia estão associadas com variantes demográficas incluindo idade (mais de 25% das pessoas com 65 anos ou mais relatam interrupção do sono principalmente os aposentados, inativos ou viúvos), sexo (é duas vezes mais comum em mulheres) e status ocupacional e socioeconômico. Estes fatos, demonstram a necessidade de se procurar tratamentos naturais para o controle da insônia e não utilizar “farmacos” como primeiro tratamento.

As terapias comportamentais mostram ser o tratamento de escolha para pacientes com insônia psicofisiológica tanto quando usadas isoladamente, quanto em associação a terapia farmacológica. Elas apresentam como vantagem ao tratamento farmacológico o baixo risco de efeito colateral e a manutenção da melhora a longo prazo. O foco do tratamento comportamental é modificar as situações e os pensamentos que mantenham a insônia. O tratamento tipicamente dura entre quatro a oito sessões, sendo em geral, uma sessão por semana. As técnicas comportamentais que se mostraram eficazes no tratamento das insônias serão descritas abaixo.

– Higiene do sono
Esta apresenta como foco o hábito de vida e os fatores ambientais que podem interferir positiva ou negativamente no sono. Desta forma, deve-se investigar os hábitos de vida dos pacientes para poder orientá-los na identificação desses fatores e nas mudanças necessárias a serem feitas. Abaixo serão listados alguns desse fatores:
- cafeína e nicotina: os pacientes devem ser orientados a interromper o uso dessas substancias entre 4 a 6 hora antes do horário de dormir.
- álcool.
- exercícios físicos não devem ser feitos próximos aos horários de dormir, mantendo-se um intervalo mínimo de 3 horas, entre o final da atividade física e o horário de dormir.
- O ambiente de dormir o qual deve conter pouca luminosidade, ser silencioso, com temperatura adequada (temperatura abaixo 17 °C, causa sonhos desagradáveis e calor acima de 29° causa mais despertares com movimentação).
- Não dormir com fome.
- Posição: quando o insone acorda no meio da noite e não consegue recomeçar a dormir, deve tentar mudar de posição na cama, evitando-se assim a posição de insônia.


Fazem parte ainda das orientações a serem dadas ao paciente:

- A restrição do tempo de sono.
- O estabelecimento de horários regulares de sono.
- Não ir para a cama para tentar dormir sem sono.
- Não passar o dia preocupando-se com o sono.
- Reservar um período no início da noite para planejar e pensar nos problemas e atividades do dia seguinte ou dos próximos dias.
- Não ficar controlando o passar das horas no relógio.

 Terapia de controle de estímulos:

A terapia de controle de estímulos refere-se a instruções que ajudam o paciente com insônia a estabelecer um adequado ritmo sono/vigília. Tem como objetivo associar o quarto e a cama ao rápido início do sono, eliminando do quarto e da cama atividades incompatíveis com o sono (TV, telefone, comida, livros), ou mesmos o hábito de preocupar-se com eventos do dia que passou e planejar as tarefas do dia seguinte. Essas condições podem aumentar o estado de alerta e dificultar o sono.

De modo geral, deve-se dar as seguintes instruções para o paciente:
-Ir para a cama quando estiver com sono;
-Usar a cama e o quarto somente para dormir e para a atividade sexual;
-Caso sentir-se incapaz de dormir, levantar da cama e ir para outro ambiente e retomar alguma atividade relaxante em ambiente com pouca luminosidade;
-Ficar fora da cama o quanto desejar e só retornar novamente para dormir, de modo a favorecer a associação da cama com o adormecer rápido.
-Caso a dificuldade em iniciar ou reiniciar o sono persistir, repetir o item acima quantas vezes forem necessários durante toda a noite;
-Regular o relógio para despertar e levantar sempre no mesmo horário todos os dias, independentes do quanto você dormiu durante a noite, isto ajudará o organismo a adquirir um ritmo de sono consistente;
-Não cochilar ou deitar durante o dia (podendo fazer exceção as pessoas idosas que podem necessitar de cochilo breve no meio do dia, cujo ritmo circadiano de sono-vigília é bifásico).
Embora estas instruções sejam simples, a adesão a elas é melhor quando os itens são discutidos com os pacientes individualmente. Para aqueles que apresentam dificuldades de manutenção do sono, deve-se dar as instruções acima, observando sua utilização toda vez que acordar e não conseguir adormecer novamente.

Restrição de sono e de tempo na cama:
A terapia de restrição de sono é baseada na observação de que muitas pessoas com insônia passam muito tempo na cama tentando dormir e mesmo assim, apresentam uma pobre eficiência do sono. O objetivo desta terapia é consolidar o sono por meio da restrição do tempo que o paciente passa na cama. Na terapia de restrição do sono os horários de sono e vigília são prescritos individualmente limitando-se o tempo na cama para uma quantidade de horas próximas a média que o paciente realmente dorme.
Por exemplo, no caso de um paciente que permanece na cama 9 horas, mas dorme apenas 5 horas, orienta-se para a primeira semana um tempo de permanência na cama de 5 horas, a partir da segunda semana serão feitos reajustes conforme a eficiência do sono:
Se esta for maior que 90% aumenta-se 15 a 20 minutos do tempo da cama por semana.
Se esta for menor que 80% diminui-se em 15 a 20 minutos do tempo na cama por semana.
Se a eficiência do sono estiver entre 80% e 90% não se altera o tempo na cama.
Deve-se ressaltar que o tempo na cama não deve ser menor do que 5 horas para evitar sonolência excessiva diurna.

 Técnicas de relaxamento:
As técnicas de relaxamento têm como base a observação que pacientes com insônia apresentam um nível de alerta elevado tanto a noite quanto durante o dia. Logo este tipo de manejo além de reduzir o alerta diurno e permitir que o paciente lide com maior eficácia seu estresse diurno, também favorece o adormecer.
As técnicas de relaxamento incluem vários procedimentos como o relaxamento progressivo (nele orienta-se o paciente a tensionar e relaxar os grandes grupos musculares de forma seqüencial, ao mesmo tempo, pede-se que observe a sensação de tensão e de relaxamento), o treinamento autogênico, a técnica de visualização, hipnose e o biofeed back (é a técnica de relaxamento progressivo que monitoriza, com uso de equipamento apropriado, variáveis fisiológicas dos pacientes, como, a tensão muscular, temperatura cutânea, freqüência cardíaca, pressão arterial, resposta eletrodérmica, entre outras. O paciente tem informação desses dados, por meio de respostas sonoras ou visual. A partir da observação desses sinais o paciente é treinado a controlar suas respostas fisiológicas).
Todas essas modalidades de relaxamentos necessitam de treinamento regular ao longo de várias semanas e a orientação profissional é frequentemente necessária no estágio inicial do processo.
Outras técnicas de relaxamento como a respiração diafragmática, a meditação e o ioga, ainda não apresentam suporte científico para o seu uso no tratamento das insônias.

Terapia Cognitiva:
Há um grande número de sintomas cognitivos que podem ocasionar ou manter a insônia, como preocupações, pensamentos intrusivos e falsas atitudes, crenças sobre o sono e a conseqüência da insônia.

As intervenções cognitivas englobam:
- Intenção Paradoxal
Muitas pessoas pioram sua insônia com a preocupação de serem ou não capazes de adormecer. Para reduzir a ansiedade antecipatória associada ao tentar dormir, os pacientes são orientados a irem para a cama e ficarem acordados e não tentarem adormecer. Essa técnica reduz a ansiedade associada ao medo de não se capaz de dormir, assim, os pacientes tornam-se mais relaxados e adormecem mais rapidamente. Não é uma técnica frequentemente utilizada.
- Reestruturação cognitiva
Pacientes com insônia frequentemente apresentam idéias irracionais sobre o sono. Cinco tipos de pensamentos inadequados são identificados como por exemplo:
(a) Falsas idéias sobre as causas da insônia;
(b) Falsas crenças ou amplificação das conseqüências do sono ruim (por exemplo, que se ficarem uma a duas noites sem dormir entrarão em um “colapso nervoso”; que devem cancelar atividades sociais, familiares e de trabalho após uma noite ruim de sono);
(c) Expectativas de sono irreais (necessidade de no mínimo 8 horas de sono para sentir-se bem e ter um bom desempenho no outro dia);
(d) Diminuição da percepção do controle do sono e perspectiva de sono e;
(e) Não acreditar nas práticas de indução de sono e na sua própria capacidade de obter sono.
A terapia cognitiva consiste em dar orientações gerais, identificar atitudes e pensamentos inadequados promovendo mudanças. Essas técnicas mostraram-se eficazes como parte do tratamento, levando ao aumento da eficiência do sono, reduzindo a latência do sono, o tempo acordado após adormecer e o despertar precoce.

- Fototerapia
A exposição à luz pode influenciar a amplitude e a fase dos ritmos circadianos humanos, podendo ter papel importante no tratamento da insônia relacionada a ciclos irregulares de vigília-sono. As principais indicações desta técnica são: síndrome do atraso e do avanço da fase de sono, transtorno afetivo sazonal, quadros demências e condições que envolvam mudanças de fuso horário e trabalho em turno.

Os aspectos envolvidos na aplicação da fototerapia incluem horário e tempo de exposição, características do estímulo, medidas de segurança e uso de aparelhos adequados. Os aparelhos são seguro, não provocam aquecimento e contêm filtros de ultravioleta, protegendo assim, os olhos.

A intensidade da luz é medida em unidades lux. A intensidade da luz interna é de aproximadamente 150 lux e a luz da fototerapia tem uma potencia de 2.500 a 10.000 lux. Para um tratamento com fototerapia ser eficaz, a potência da luz tem que estar dentro do intervalo de 2.500 lux por duas horas a 10.000 lux por 30 minutos. A caixa de luz é colocada no nível dos olhos a uma distância de aproximadamente 90 centímetros. Com uma exposição excessiva, o paciente pode apresentar cefaléia e tontura. É importante salientar ainda, que esta terapêutica raramente pode ocasionar a ativação do SNC levando a um estado de hiperalerta, podendo desencadear também, quadros de hipomania.

Referências:

Duthie Jr Edmund H. Duthie Jr; Katz, Paul R. Geriatria Prática. Sono nos idosos. 3ª edição, Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2002, pág.230-236.

Martinez, Denis (2006) Os cuidados com o sono.[on line]

Poyares, Dalva et.al.(2003). I Consenso Brasileiro de Insônia.

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Familiares dos Idosos Institucionalizados

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Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Enfatizamos a família como parte integrante no processo de envelhecimento, visto que esta pode desenvolver e manter o equilíbrio físico e afetivo do idoso.

Momentos de crise e períodos de transição são pertinentes á família, podendo levar a um desequilibro biopsicosocial do idoso. Logo, a atuação do Terapeuta Ocupacional no contexto familiar é primordial na relação família/idoso e seu papel destina-se ao resgate de valores do idoso dentro e fora da família, através de informações pertinentes ao cotidiano e soluções restauradoras ou adaptativas.

Podemos afirmar que esta é a expectativa da instituição, ainda que não sejam expressas tão claramente nem implementadas, com a necessária rapidez, estratégias que avancem neste sentido. Por outro lado, é preciso lembrar que a família, incluindo o próprio idoso, é que busca a instituição de longa permanência como parceira nas demandas de cuidado. Ao acoplar-se à instiutição, a família busca a extensão de si mesma para cuidar adequadamente de seu idoso.

A relação entre o idoso e a família é diversificada, em que podemos evidenciar tanto aqueles que mantêm (ou retomam) relacionamentos significativos com seus familiares, cuja base de comunicação é o amor, como aqueles que, por circunstâncias diversas, romperam os vínculos, ou mantêm uma comunicação ruidosa.

O afastamento prolongado da família ocasiona, depressão, angustia e solidão no idoso, que se sente abandonado. O Terapeuta Ocupacional, junto com a instituição, deve proporcionar e motivar a integração da família com o idoso dentro da instituição, mostrar para a família a importância das visitas periódicas aos idosos; sua participação em eventos da instituição, como festas temáticas, aniversários, atividades de lazer; sendo importantes para o bem estar dos idosos, e resgatar os vínculos familiares.

Concluindo, a ILPI não pode substituir a família, mas deve ser vista como a ampliação da família, com laços e vínculos igualmente significativos, porém o maior vínculo do idoso deve ser com sua família.

Referências:

Born, T e Boechat, NS – A Qualidade dos cuidados ao idoso institucionalizado. In: FREITAS, E. V. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Creutzberg M, Santos BRL – Se a gente não tem família, não tem vida: subsídios para o cuidado de enfermagem domiciliar. Rev. Gaucha Enfermagem, 2000; 21(n. esp): 101-2.

Creutzberg M, Gonsalves LHT – A comunicação entre a família e a Instituição de Longa Permanência para Idosos. In: Rev. Bras. Geriatr. Gerontol.2007;10(2). – Rio de Janeiro  2007.

Secchi, SR – Memória do idoso: o papel da Terapia Ocupacional. Trabalho de Conclusão do Curso de Pós Graduação em Gerontologia – Metrocamp – Campinas: 2008.

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Terapia Ocupacional com Idosos Institucionalizados

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Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp.

A Terapia Ocupacional gerontológica visa manter, restaurar e melhorar a capacidade funcional, mantendo o idoso ativo e independente o maior tempo possível. A atuação do Terapeuta Ocupacional tem como objetivo geral promover o desempenho dos idosos nas atividades de vida diária, nas atividades instrumentais de vida diária, nas atividades de trabalho e nas atividades de lazer. Então se torna fundamental definir as atividades de vida diária e as atividades instrumentais de vida diária, uma vez que são conceitos muito utilizados na pratica do terapeuta ocupacional com idosos.

As atividades de vida diária referem-se às atividades relacionadas aos cuidados pessoais, tais como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, e fazer higiene, mobilidade e comunicação funcional. As atividades instrumentais de vida diária referem-se às atividades relacionadas à administração do ambiente de vida e estabelecem relação entre o domicilio meio externo. Estas atividades incluem comprar e preparar alimentos, cuidar da limpeza da casa, lavagem das roupas, ou seja, capacidade para viver em comunidade, Barreto e Tirado (2006).

Na atuação com o idoso, a Terapia Ocupacional age como um facilitador que capacita o mesmo a fazer o melhor uso possível das capacidades remanescentes, a tomar suas próprias decisões e lhe assegurar uma conscientização de alternativas realísticas.

Através do estímulo ao auto-conhecimento e ao auto cuidado, gerando uma melhoria na auto-estima, o idoso tem condições de lidar com seus potenciais e a partir daí construir uma maneira própria de se relacionar com o meio social, atuando nele mais autonomamente. Basicamente, procura-se que o idoso tenha um desempenho mais independente possível, enfatizando as áreas de auto cuidado, do lazer, da manutenção de seus direitos e papéis sociais, segundo o Boletim do CRE (Ano VII n. 2).

A Terapia Ocupacional deve intervir também visando à qualidade de vida dos idosos, sempre considerando os processos de perdas próprias do envelhecimento e as possibilidades de manutenção de seu estado de saúde (Lacerda, 2005). Nesse sentido, a saúde não significa ausência de doença, mas, sim, uma condição de bem-estar físico, mental e social que leva o indivíduo a apreciar a vida e enfrentar os desafios do seu cotidiano, sendo, portanto, entendida pela multiplicidade de aspectos do comportamento humano,  Pitanga, 2004.

A Reabilitação Cognitiva é feita pelo Terapeuta Ocupacional, em que se busca resgatar e estimular o idoso nas atividades cognitivas e a atuar no seu cotidiano, através de atividades que mantenham os idosos ativos a concentração, seqüência do pensamento, atenção e a capacidade de fazer escolhas.  Como por exemplo, a leitura, jogo de xadrez, bingo, palavras cruzadas, fazer uso de anotações, organizar o ambiente, fazer uso de listas, quebra cabeças, jogo da memória, caça palavras, Secchi, 2008.

O processo Terapêutico Ocupacional se inicia com a identificação das habilidades e das limitações funcionais do idoso através da avaliação, que pode ser considerada o inicio do processo terapêutico. Com base nessas informações, são elaborados o planejamento e a implementação da intervenção, seguida de reavaliações periódicas.

A intervenção Terapêutica Ocupacional na área da geriatria se apóia em prescrições de atividades terapêuticas que favorecem o processo de adaptação ao envelhecimento. É fundamental que as atividades realizadas sejam significativas para os idosos e desse modo, se relacionando com seus interesses e com sua realidade socioeconômica e cultural.

Desse modo à Terapia Ocupacional faz com que os dias dos idosos institucionalizados sejam mais produtivos e valorizados impedindo assim que eles desenvolvam uma passividade, a depressão, a raiva e o ressentimento.

Referências:

Barreto, KML e Tirado, MGA – Terapia Ocupacional em Gerontologia. In: Freitas, EV – Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Born, T e Boechat, NS – A Qualidade dos cuidados ao idoso institucionalizado. In: Freitas, EV – Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Secchi, SR – Memória do idoso: o papel da Terapia Ocupacional. Trabalho de Conclusão do Curso de Pós Graduação em Gerontologia – Metrocamp – Campinas: 2008.

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Atividades como Recursos Terapêuticos

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Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Os recursos terapêuticos utilizados na Terapia Ocupacional são as atividades, que proporcionam um conhecimento e uma experiência que auxiliam na transformação de rotinas e ordens estabelecidas e oferecem aos sujeitos instrumentos que sejam para seu próprio uso, ampliando a comunicação, permitindo crescimento pessoal, interação social e inclusão cultural, criando novas possibilidades e finalidades de intervenção. As atividades tem a finalidade de potencializar a comunicação, a troca de informações, a participação dos sujeitos no mundo, proporcionando o enfrentamento dos problemas, ressignificação dos projetos de vida, auto conhecimento, e buscando as necessidades e potencialidades de cada sujeito.
De Carlo e Bartalotti (2001).

“Na Terapia Ocupacional, as atividades possibilitam a cada um ser reconhecido e se reconhecer por outros fazeres; elas permitem conhecer a história de vida dos sujeitos, havendo um resgate bibliográfico no campo das atividades, no qual se descobrem interesses, habilidades e potencialidades que delineiam caminhos possíveis no rol das atividades e produções humanas.”

Através das atividades a história pessoal é contada aos poucos, e assim é possível mapear também as necessidades e possibilidades que estabelecerão um conjunto de práticas centradas no fazer humano, visando à independência, autonomia, auto conhecimento, bem estar, auto estima, limitações, habilidades e potencialidades de cada sujeito, adaptações.

O ato de realizar atividades promove mudança de atitudes, pensamentos e sentimentos; restabelece, de maneira sutil, o equilíbrio emocional e atua na estruturação da relação tempo-espaço, promovendo trocas sociais, rompendo com o isolamento e a invalidação dos sujeitos.

Pelas atividades é possível a criação de novas possibilidades e finalidades de intervenção; garantir formas múltiplas de ação e expressão e novas formas de vida.

Quando as atividades são realizadas, é possível completar experiências que ficaram destituídas de sentido e significado ou criar novos sentidos e significados para as experiências vividas, acessando também o inconsciente do sujeito.

Segundo Francisco (2001), o fazer deve acontecer através do processo de identificação das necessidades, problematização e superação de conflitos, não existindo receitas mágicas, nem técnicas específicas que garantam que estamos realmente resolvendo o problema. Complementando, segundo De Carlo e Bartalotti (2001), “Não se trata de construir modelos, receitas, bulas, indicações de atividades, mas de construir com cada paciente, junto com ele, uma trajetória singular.”

A Terapia Ocupacional deve construir com o sujeito um projeto de vida, ampliar a vida, buscar conexões, favorecer encontros, possibilitar novas descobertas, facilitar o auto conhecimento, ser “a ponte” entre o sujeito e a atividade. Não existe uma receita de atividade para cada tipo de patologia, ou de sujeito, cada sujeito é único e singular, e cabe ao terapeuta ocupacional encontrar os recursos junto ao sujeito, através de suas necessidades, habilidades, potencialidades, e seu momento de vida.

Para utilizar a atividade como recurso terapêutico, o terapeuta ocupacional faz a analise da atividade, conhecendo em seus pormenores, observando assim suas propriedades específicas, e seu leque de ações, Francisco (2001).

Complementando tais pensamentos, segundo Feriotti (2001), entende-se a atividade não apenas como meio ou instrumento de tratamento, mas também como fim em si mesma, e objetivando o desenvolvimento de um homem livre, ativo, criativo, transformador, solidário, feliz e integrado ao seu meio, como finalidade última da intervenção terapêutica.

Assim, percebemos que as atividades como recursos terapêuticos são meios, instrumentos da Terapia Ocupacional no tratamento do sujeito, sendo muito amplas, complexas, e únicas para cada sujeito, não existindo uma receita mágica para o tratamento.

Referências:

De Carlo e Bartalotti (2001) (orgs) Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Feriotti, ML – Atuação da Terapia Ocupacional no corpo sujeitado. In: O mundo da Saúde. São Paulo, 2001;25(4):389-393.

Francisco, BR – Terapia Ocupacional. Campinas: Papirus, 2001.

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A Terapia Ocupacional no Brasil

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Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A Terapia Ocupacional no Brasil

A história da Terapia Ocupacional no Brasil, carrega acontecimentos precursores desde quando o Brasil ainda era colônia de Portugal.

As primeiras instituições brasileiras que atendiam pessoas com incapacidades físicas, sensoriais ou mentais foram criadas na segunda metade do século XIX. Os pioneiros foram os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com a fundação de hospitais e de escolas especializadas para deficientes mentais. Em 1898 iniciou-se o funcionamento do Hospital do Juqueri, atualmente chamado de Hospital Franco da Rocha…, para atender os doentes mentais de todo o país. Franco da Rocha e Pacheco Silva lá introduziram o tratamento pelo trabalho intitulado “praxiterapia” (CARLO e BARTALOTTI, 2001)

Nesta instituição a principal atividade era rural, toda a produção supria tanto a instituição, como também era comercializada. Ao final do século XIX e inicio do século XX, outras atividades como a marcenaria e a ferraria, além das oficinas de trabalho, também foram implantadas como forma de tratamento.

Em 1922, a doença mental era entendida não como causa orgânica, mas sim como uma situação provida de estímulos externos, social, ligada ao trabalho. Para tanto, há uma ênfase para a integração social e ao trabalho.

Vemos isto no trabalho revolucionário de Nise da Silveira, desenvolvido no Rio de Janeiro. Ela era médica, psiquiatra, com pensamentos e idéias muito avançados para a mentalidade social da época. Indignada e irredutível a aceitar os tratamentos vigentes nas instituições psiquiátricas, optou por um método considerado até não muito tempo subalterno: a terapêutica ocupacional.

“…. Um método que utilizava pintura, modelagem, música, trabalhos artesanais, seria logicamente julgado ingênuo e quase inócuo. Valeria quando muito, para distrair os internados ou torna-los produtivos em relação a economia dos hospitais.” (SILVEIRA, 1992)

Nise vinculou-se à Terapia Ocupacional por acreditar no potencial do simbólico do homem, e por ver nas atividades um estímulo para a expressão.

“ Todas as atividades proporcionavam condição para a expressão das vivências de seus freqüentadores. Paralelamente, estimulava-se neles o fortalecimento do ego e um avanço no relacionamento com o meio social, levando-se sempre em consideração, suas possibilidades adaptativas atuais.” (SILVEIRA, 1992).

A partir de 1959, iniciou-se a formação de “técnicos de alto padrão” em Fisioterapia e Terapia Ocupacional, por intermédio de um curso com duração de dois anos, cita CARLO E BARTALOTTI (2001).

Somente em 1969, a profissão de Terapia Ocupacional, conjuntamente com a Fisioterapia, foi reconhecida como de nível superior.  Nos anos 70 e 80, os profissionais, terapeutas ocupacionais, sofreram grandes criticas quanto ao seu papel. A partir daí, os profissionais brasileiros, que recebiam grande influencia dos autores estrangeiros, iniciaram suas contribuições com seus pensamentos para o progresso da nossa profissão.

Vemos assim, que esta profissão tão recente, predominantemente feminina, com grande caráter lutador em seu espaço, funda-se desde o principio ao olhar o sujeito em sua totalidade, hoje entendida com a complexidade constituidora do ser humano. Para tanto, a Terapia Ocupacional tem em sua concepção que a ocupação humana é ação, e com isso preserva e intensifica a importância da atividade como parte do ser humano e foco de transformação deste, FRANCATO (2005).

Referências:

Carlo, MMRP; Bartalotti, CC (orgs) – Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Francato, JC – Atividade: um estudo dos conceitos acerca deste termo em Terapia Ocupacional. Monografia do curso de Terapia ocupacional da Faculdade da PUC Campinas. 2005

Silveira, N – O mundo das imagens. São Paulo: Ática, 1992.

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A História da Terapia Ocupacional

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Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A história da Terapia Ocupacional é bastante recente, porém podemos falar que a atividade humana enquanto recurso terapêutico foi utilizado, de forma talvez pouco consciente e/ou científica, desde os tempos mais remotos.

Nos séculos XVII e XVIII acreditavam-se que todos os indivíduos que suscitavam repulsa se tremor – indigentes, vagabundos, preguiçosos, incapazes, velhos, prostitutas, loucos, deficientes -, eram considerados como ameaças à sociedade, deviam ser afastados e confinados em um espaço isolado do convívio social. Eram recolhidos para que fossem cuidados, mas, na verdade, o que se praticava eram seu isolamento e exclusão, para proteger a sociedade contra a desordem dos loucos e dos diferentes e dos perigos que eles representavam.  Os hospitais eram de caráter mais religioso do que médico, tendo como objetivos realizar trabalho caritativo, com a pretensão de salvar a alma do pobre e a sua própria, Da Carlo e Bartalotti,2001.

A Terapia Ocupacional surgiu, basicamente, de dois processos: a ocupação de doentes crônicos em hospitais de longa permanência e a restauração da capacidade funcional dos incapacitados físicos.

Os principais fatores para o começo formal da Terapia Ocupacional no início do século XX, foram o renascimento do Tratamento Moral nos hospitais psiquiátricos e o retorno dos soldados norte americanos cronicamente incapazes de Primeira Guerra Mundial, Woodeside (1979) e Francisco (2001).

Assim, uma das raízes mais concretas do início da profissão, refere-se à Primeira Guerra Mundial com os Estados Unidos. Com o aumento da tecnologia e prosperidade econômica deste país, grande numero de soldados feridos necessitava de um programa ativo de reabilitação, o que,  exigiria pessoal treinado, levando assim à formação das Auxiliares de Reabilitação, surgindo um grande programa reconstrução e reabilitação de guerra e pós-guerra.

Na Segunda Guerra Mundial surgiu à necessidade de terapeutas ocupacionais em hospitais civis e militares, e com isso houve um aumento de escolas e uma expansão considerável da Terapia Ocupacional, sobretudo na área do tratamento das incapacidades físicas.

Neste momento, crescia, devido a demanda, o chamado Movimento Internacional de Reabilitação, nascido de uma necessidade da população em atendimentos em especial na área das disfunções físicas. Foi um período de intensas transformações na área da saúde, como se pode observar na citação de MOSEY, 1979,
À medida que diminuía a massa de veteranos incapacitados, grupos preocupados com o grande número de condições incapacitadoras procuravam reabilitação. Foram estabelecidos programas especiais de acordo com as categorias de doença. Desta forma, as duas guerras mundiais favoreceram uma expansão rápida da Terapia Ocupacional, no tratamento da disfunção física.

Essas informações são muito relevantes para a compreensão da história da Terapia Ocupacional no Brasil, pois foi justamente nesse período que se constituíram os primeiros cursos de formação de terapeutas ocupacionais no país.

A primeira publicação que se tem referência sobre Terapia Ocupacional é de 1915, do Dr. Willian Rush Dunton, Occupational Therapy: a manual for nurses. Este manual era indicado especialmente ás enfermeiras, propondo princípios de aplicação de ocupação no tratamento de doentes mentais. “Nascia, então, o termo Terapia Ocupacional” Francisco, 2001.

Referências:

Carlo, MMRP; Bartalotti, CC (orgs) – Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Francisco, BR – Terapia Ocupacional. Campinas: Papirus, 2001.

Woodeside, HH – Terapia Ocupacional. O desenvolvimento de Terapia Ocupacional – 1910 a 1920. Terapia Ocupacional aplicada: Saúde Mental e Psiquiatria. Tradução de Raquel Kopit. Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte e PUC Campinas, 1979.

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Biblioteca de Psicologia

Categoria(s): Gerontologia

As informações científicas na internet são extensas e a amplitude de recursos da web ajuda aos profissionais da área da saúde. Nesse área do blog, em particular, estamos disponibilizando sites voltados aos psicólogos, com informações como: perfis das doenças, terapias modernas, agenda de eventos, notícias atualizadas, casos clínicos comentados, e publicações da área da psicologia.
Psicologia
PsiqWeb - Textos de psiquiatria
Associação Brasil Parkinson
Convivendo com Alzheimer
Doença de Alzheimer
Cuidar dos idosos
Informativos sobre drogas
Anti-Drogas
Socedade Brasileira do Sono
Bulímia
Ansiedade

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Ritmo Circadiano e Ciclo do Sono

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Colaboradora: Maíra Silva Mamana

* Naturologa, Pós-graduada do Curso Saúde e Medicina Geriátrica – METROCAMP

O termo ritmo circadiano provém do Latim circa diem, que significa “por volta de um dia”. O ritmo circadiano regula todos os ritmos do corpo desde a digestão até ao processo de eliminação, desde o crescimento ao renovar das células, assim como a subida ou descida da temperatura.Quando há distúrbios do ciclo circadiano, ocorrem diversas alterações, como déficit de atenção, alterações na qualidade do sono, concentração e performace no trabalho e exigências sociais.

Os ciclos circadianos são controlados nos mamíferos pelos núcleos supraquiasmáticos (NQS) (relógios) do hipotálamo anterior e este, por sua vez, estão sob controle temporal por agentes sincronizadores, como a luz.

Qualidade do sono:

Com a chegada do processo de envelhecimento ocorrem alterações no ritmo circadiano, provavelmente na qualidade da transmissão da informação ótica pela retina ou ao nível do marcador central – NSQ –, que perde a capacidade de resposta à informação. Isso ocasiona modificações na quantidade e qualidade do sono, as quais afetam mais da metade dos adultos acima de 65 anos de idade.

O sono tem sido definido como um estado fisiológico complexo, que requer uma integração cerebral completa, durante a qual ocorrem alterações dos processos fisiológicos e comportamentais, como mobilidade relativa e aumento do limiar de respostas aos estímulos externos. É um estado descontínuo organizado em fases que se diferenciam por traçados eletroencefalográficos específicos. os estudos cronobiológicos descrevem dois sistemas neuroanatômicos que se inter-relacionam sincronicamente na manutenção do ciclo sono-vigília: o Sistema Indutor do Sono e o Sistema Indutor da Vigília. O primeiro mantém os estados de alerta e a capacidade de concentração; o segundo, é responsável pelos diferentes estágios do sono.

Os mecanismos neurofisiológicos que induzem os estados devigília encontram-se no Sistema Reticular Ativador Ascendente (SRAA), formado por neurôniosnoradrenérgicos, catecolaminérgicos, serotonérgicos, glutamatérgicos e gabaérgicos, entre outros, particularmente ativos durante o estado de vigília. O SRAA conecta-se com todo o diencéfalo e ativa o córtex cerebral. Esses mecanismos funcionam de acordo com o ritmo circadiano. Assim, quando aumenta a temperatura corporal, aumenta a atividade metabólica, com maior produção de catecolaminas, substâncias indutoras da vigília; quando a temperatura cai, a liberação de catecolaminas diminui. Por outro lado, no Sistema Indutor do Sono, os neurônios promotores do sono “tornam-se ativos, diminuindo a atividade cortical através da inibição dos neurônios do SRAA”. O sono pode também ser facilitado pela diminuição de estímulos sensoriais como ruídos e claridade.

O ciclo claro-escuro é o mais importante fator ambiental sincronizador dos ritmos biológicos. A luz muda a fase do relógio circadiano por uma cascata de eventos no interior das células do núcleo supraquiasmático (NSQ), incluindo a ativação do gene mPer1. A informação da claridade/escuridão é transmitida, via trato retino-hipotalâmico, da retina (único receptor da informação) para o núcleo supraquiasmático (NSQ) e deste para a glândula pineal, que regula a secreção de melatonina.

A melatonina exerce um efeito de sincronização no marcador circadiano, sendo fortemente suprimida na presença de luz, aumentando até um determinado platô durante o sono e diminuindo novamente com o despertar.

Existem inúmeras causas potenciais de distúrbios de sono na terceira idade. No intuito de facilitar o seu reconhecimento e manejo na prática clínica, elas foram sistematizadas e classificadas. Uma dessas classificações, elaborada pela Associação Americana dos Distúrbios do Sono, agrupa os principais transtornos em três categorias: dissonias, parassonias e distúrbios médico-psiquiátricos.

Além dos distúrbios relacionados ao ritmo circadiano, transtornos ambientais, tais como higiene inadequada de sono e consumo de substâncias psicoativas, interferem no padrão normal de sono.

Na higiene inadequada do sono, incluem-se tanto as expectativas acerca do sono quanto as condições para dormir (luminosidade, ruídos, temperatura, companheiro de quarto, atividades inapropriadas na cama, ingestão de alimentos e líquidos precedendo o horário de ir para a cama, horário de uso de diuréticos), assim como as alterações comportamentais ou psicossociais.

A adequada avaliação e planejamento das rotinas diárias e de rituais de sono poderão auxiliar o profissional de saúde a selecionar os sincronizadores eficazes.

As condições para dormir devem envolver sempre a preocupação com um ambiente físico confortável e seguro.

Entre os fatores psicossociais, responsáveis pelos distúrbios de sono no idoso, estão o luto, a aposentadoria e as modificações no ambiente social (isolamento, institucionalização, dificuldades financeiras). A morte do cônjuge tem um forte impacto na velhice, podendo estar associada ou não à depressão. A aposentadoria e as modificações no ambiente social, quando rompem com os hábitos regulares do idoso, contribuem para reduzir a amplitude do ritmo circadiano, produzindo fragmentação do sono noturno e, freqüentemente, cochilos diurnos usados como fuga à monotonia.

Os fatores comportamentais com maior interferência sobre os distúrbios de sono na velhice são a redução da atividade física e da exposição à luz solar. A atividade física regular parece resultar em aumento da profundidade e duração do sono. Contudo, alguns cuidados devem ser observados: os exercícios devem ser adequados  às condições de saúde do idoso (leve ou moderada intensidade); realizados várias horas antes de dormir, evitando-se o período da manhã quando ocorrem as alterações da pressão arterial, da viscosidade sanguínea e da agregabilidade plaquetária, o que aumentaria o risco de acidentes vasculares cerebrais e cardiovasculares. A exposição ao sol contribui para a regularização do ritmo circadiano e a liberação de melatonina ajusta a temperatura central do corpo e a consolidação do sono.

Ainda que tenham efeito mais lento do que o uso de medicamentos, essas intervenções melhoraram o sono em 70-80% de pessoas jovens. No entanto, sua eficácia diminui com a idade, o que sugere um permanente monitoramento dos efeitos para avaliar a necessidade de combinar estratégias não farmacológicas com terapia medicamentosa.

Os transtornos do sono decorrem também do uso de drogas e álcool. Estima-se que 90% dos idosos utilizam pelo menos uma medicação e que a maioria deles consome dois ou mais medicamentos de uma só vez. Em decorrência, muitos idosos apresentam distúrbios de sono como efeito colateral ou cumulativo dessas drogas, devido à diminuição do metabolismo e excreção nesta faixa etária. Em relação aos hipnóticos, largamente consumidos pelos idosos, ressalta-se o efeito depressor sobre o sono REM, necessário para o alívio do estresse mental, tais como tensão e ansiedade.

Além disso, o uso crônico de hipnóticos, sedativos e álcool pode induzir a insônia e, conseqüentemente, hipersonolência diurna, perda do equilíbrio, prejuízos na cognição e no desempenho psicomotor.

Prevenção e tratamento:

A prevenção e o tratamento dos distúrbios de sono na terceira idade podem ser feitos por meio de medidas terapêuticas não medicamentosas, destinadas a melhorar a qualidade e quantidade de sono.

Entre essas medidas, está a Terapia Cognitiva e Comportamental, que inclui:
1) a educação sobre a higiene do sono;
2) o controle de estímulos;
3) o relaxamento muscular;
4) a restrição do sono;
5) a terapia cognitiva para a insônia.

Referências:

(1) APARECIDA. F, CALDEIRA. C. J, KOGA. A, MORIOKA. R, NEVES. W, JÚNIOR. J. Cronobiologia e suas Aplicações na Prática Médica. Revista HB Científica – vol.7 n° 1 –Jan/Fev/Mar/Abril, 2000.

(2) ARAÚJO, J.F. Introdução ao Tema Cronobiologia. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) –RN, 1999. Disponível em: . Acessado ás 21:30 dia 22.06.2007.

(3) GEIB, L.T.C; NETO,A.C; NUNES, M.L; WAINBERG, R. Sono e Envelhecimento. Revista Psiquiatria. RS, 25?(3): 453-465, set./dez. 2003. Disponível em:
(4) GMDRM: Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmo Biológico. . Acessado ás 15:07 dia 24.06.2007.

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Astenia

Categoria(s): Gerontologia

Num período de dois anos, 65% da população geral fica sofrendo de alguma forma de astenia, e em 30 % dos casos, sua duração supera um mês.

Tem sido demonstrado que as mulheres são mais sensíveis à astenia e que a idade acima de 40 anos é a de maior risco.

A astenia afeta muitos aspectos da vida diária, sobretudo, causando sonolência, dificuldade de concentração, prejuízo na função de memorização, impotência, frigidez, queda da resistência física e inapetência.

A astenia parece constituir um sinal de sobrecarga das capacidades de reconstituição do organismo e um manuseio precário dos recursos do corpo pelo sistema reticular ativador (SRA)*, que é composto de uma vasta rede de pequenos neurônios altamente ramificados, que se estende desde a medula oblonga até o diencéfalo, onde se projeta no hipotálamo.

O SRA esta envolvido na coordenação da atividade motora voluntária, em funções autônomas e endócrinas, percepção sensorial, memorização e ativação de todo o córtex. O SRA pode ser ativado por qualquer modalidade sensorial, vias aferentes hipotalâmicas e corticais.

A astenia é um quadro que merece uma rápida intervenção terapêutica, pois pode cronificar-se com lesões difícil controle.

Por suas múltiplas faces clínicas, geralmente leva ao paciente recorrer a auto-medicação. Os fármacos com ação pró-colinérgicas que atuam sobre tudo nos receptores muscarínicos parecem produzir boa resposta clínica.

CID – F.480 = Neurastenia
* SRA – O sistema reticular ativador é uma rede de neurônios localizados no tronco cerebral responsáveis pela manutenção da vigília. O SRA leva impulsos do tronco cerebral para todo o cérebro.Sua lesão portanto,leva ao estado de sono. Recebe os estímulos provenientes do meio exterior. Seleciona e filtra, para que somente os estímulos necessários e suficientes atinjam o hipotálamo. O hipotálamo funciona como um segundo filtro selecionando os estímulos, enviando posteriormente para a hipófise que comanda as glândulas endócrinas, e para o córtex cerebral que é o terceiro filtro, onde o excesso de estímulos é novamente conduzido ao hipotálamo.

Referência:

Abhey S, Garfinkel PE: Neurasthenia and chronic fatigue syndrome: The role- of culture in making of a diagnosis. Am J Psyciam- 148: 1638-1646, 199 1.

Shafran S: The chronic fatigue syndrome. Am J Med 90:730-739. 199 1.

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Síndrome pós-queda nos Idosos

Categoria(s): Gerontologia

Colaboradora: Maíra Silva Mammana

* Naturologa, Pós-graduanda em Gerontologia pela Metrocamp

Cerca de quase um terço dos idosos que vivem em comunidade caem num período de 1 ano, e alguns sofrem conseqüências graves como fraturas, hemorragias, traumas cranianos e até óbito, direta ou indiretamente após o evento queda. A ocorrência de óbito pós-queda, mesmo nos casos dos pacientes atendidos e submetidos tratamento médico (Ex. cirurgia de colo de fêmur) seguido de complicações, constitui uma “causa externa” de morte e, em numerosos países, como no Brasil, a lei obriga que o caso passe para alçada do médico legista. Com o envelhecimento da população este fato está se tornando cada vez mais freqüente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 5% a 10% da população com idade acima de 60 anos sofre algum tipo de acidente doméstico grave.
QuedaAlguns idosos que conseguiram superar todas as adversidades causadas pela queda, ficam traumatizados com idéia de sofrer nova queda e, desenvolvem a chamada síndrome pós-queda, cujo quadro clínico é caracterizado por um pavor descontrolado de andar novamente, mesmo sem apresentar problemas de locomoção que impeçam a marcha.

Os fatores que ocasionam as quedas são inúmeros e muitos associados, considerados multifatoriais, como exemplo, desnutrição e perda da massa muscular (sarcopenia). Podemos dividir estes fatores em: risco intrínsecos, problemas inerentes à saúde do indivíduo, como uso inadequado de muitos medicamentos, problemas visuais, doença de Parkinson, dores pelo corpo (por ex., osteoartrite de joelhos, lombalgia), incontinência urinária entre outras, e risco extrínsecos, que podem ser modificáveis no ambiente ou nos hábitos como andar com calçado com salto alto, usar sola escorregadia, tapetes escorregadios, iluminação inadequada nos ambientes de transição, chão encerado, escadas sem corrimão, vasos sanitários/camas/cadeiras muito altos ou baixos, sedentarismo ou prática de atividades físicas como corrida, etc. As quedas ocorrem normalmente no próprio ambiente físico domiciliar, nos exercícios da atividade diária.

Todos estes fatores devem ser analisados por uma equipe multidisciplicar constituída pelo geriatra que assiste ao caso, pela nutricionista, pelo psicólogo, pelo terapêuta ocupacional, pelo fisioterapêuta, pelo profissional de educação física, pelos cuidadores, sobretudo pelos familiares, no intuito de devolver ao idoso a autoconfiança e independência para a locomoção.

As quedas têm grande impacto na vida do idoso, representando também alterações psicossociais da vida diária e físicas do idoso. O idoso que vivencia uma queda têm como conseqüência uma baixa na autoconfiança, desenvolve um sentimento de culpa, culpando a si mesmo pela queda, e quando cai novamente esse sentimento se intensifica. Tem medo de mahucar-se e medo de ser hospitalizado. No âmbito físico há perda do desempenho funcional (fraqueza muscular, instabilidade postural).

O idoso que sofreu um queda marcante, por ter deixando seqüelas físicas e, sobretudo, psicológicas, necessita de aprender a andar e se defender das quedas novamente. O uso de andadores e bengalas deixam o cérebro mais dependente destes equipamentos e sem eles, ocorre o pavor da queda.

Ao longo da vida a queda é fato comum a todos nós, devida ao equilíbrio instável que apresentamos, sobretudo na marcha. Aprendemos desde a infância a viver com este equilíbrio, após sucessivas quedas, adaptando no cérebro e nossos reflexos a defender-se das quedas. Nos vários esportes, sobretudo de luta corporal (judo, capoeira, jiu-jítsu, etc) aprendermos a nos defendermos das quedas, estes mecanismos reflexos, ficam gravados no cérebro e cerebelo, seu desuso acaba nos deixando vulneváveis.

Podemos evitar as quedas, e consequentemente a síndrome pós queda dando melhor atenção a pequenos itens como:
? Evitar encerar o chão;
? Manter a altura da cama entre 45cm a 50cm;
? Colocar pisos antiderrapantes em escadas;
? Pisos antiderrapantes;
? Colocar barras de apoio próximos a vasos sanitários e box.

Para que a Síndrome Pós–Queda seja evitada é necessária a existência de uma ação preventiva, não só dos profissionais da área de saúde, mas também da família. Essa ação preventiva deve ser feita com o preparo da casa para o idoso, dando atenção a detalhes que evitem quedas e suas possíveis conseqüências.

Cabe aos profissionais cuidadores estimular o idoso a caminhar de forma autônoma, e mesmo como se defender numa queda, adquirindo assim a autoconfiança. Cabe também a famílias e aos profissionais da área
Cabe aos profissionais cuidadores estimular o idoso a caminhar de forma autonoma, e mesmo como se defender numa queda, adquirindo assim a autoconfiança.

Referência:

Perracini MR – Prevenção e manejo de quedas nos idosos. PEQI – Portal do Equilíbrio e Queda nos Idosos [on line]

Province MA, Hadley EC, Hornbrook MC, Lipsitz LA, Miller P, Mulrow CD, et al. The effects of exercise on falls in elderly patients. JAMA 1995;273:1341-7.

Azoubel, R.; Gomes, F.V.; Meira, E.C.; Mello, I.T.; Reis, L.A.; Reis, L.A.: Risco de quedas no ambiente físico domiciliar de idosos Textos sobre envelhecimento v.8 n.3, 2005.

Fabrício, S.C.C.; Júnior, M.L.C.; Rodrigues, R.P.; Causas e conseqüências de quedas de idosos atendidos em hospitais públicos. Revista da saúde pública, v. 38. Scielo: São Paulo, 2004.

Mattos, C. Cuidando dos idosos. Correio Popular. Campinas, 2007.

Yamaguchi, A.M. Quedas na terceira idade. SAÚDE TOTAL [on line]

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